Home ANAFISCO Poluição ambiental na China: como o país tem lidado com essa questão

Poluição ambiental na China: como o país tem lidado com essa questão

por ANAFISCO

Além de um grande problema mundial, a poluição do ar tem sido um problema ainda maior para a China. O país é o maior emissor anual de gases de efeito estufa e mercúrio do mundo, fato que ameaça a população chinesa e a saúde global. 

Estima-se que em 2017, 1,24 milhão de pessoas morreram por exposição à poluição do ar no país. E desde o ano 2000, a quantidade de pessoas que morreram pela poluição do ar ultrapassa 30 milhões.

O problema rendeu a Pequim, capital do país, o título de segunda pior em um ranking ambiental de 40 cidades da Academia de Ciências Sociais de Xangai. 

Além disso, a cidade foi decretada como “inadequada para a vida humana”, de acordo com um relatório citado pela agência oficial do país China News Service.

Atualmente, a China é o terceiro, entre 178 países, com a pior qualidade do ar, de acordo com o ranking EPI, elaborado por uma equipe de especialistas das universidades americanas de Yale e de Columbia. 

Mas não é de hoje que a China enfrenta essa questão. Desde 2006 o país tem sido o maior emissor anual de gases de efeito estufa do mundo. As emissões de dióxido de carbono relacionadas à energia na China aumentaram mais de 80% entre os anos de 2005 e 2019.

Embora exista um compromisso do presidente  Xi Jinping em que a China atinja a neutralidade de carbono até 2060, não se sabe exatamente como ele pretende alcançar essa meta. 

Ar da China até pouco tempo atrás era praticamente impossível de respirar

Em 2013, a China estava alcançando uma média de 29,9 dias por mês com névoa de poeira, o maior índice em 52 anos.

O principal vilão do ar são as finas partículas chamadas PM2,5, que são inaláveis e são resultantes da combustão incompleta de combustíveis fósseis utilizados pelos veículos automotores e das usinas a carvão, muito comuns no país.

O problema é que, devido ao seu pequeno diâmetro, as partículas permanecem suspensas no ar, penetrando mais profundamente no aparelho respiratório, podendo causar sérios danos à saúde.

China vem investindo na redução da poluição

Em 2017, foram fechadas 27 minas de carvão na província de Shanxi, a maior produtora deste mineral no país. Já em 2018, a última usina de carvão em Pequim foi fechada, e os planos de construir outras 103 usinas foram cancelados pelo governo chinês.

Muito embora o carvão ainda seja a principal fonte de eletricidade da China, sua produção de 67,4% em 2013, passou para 56,8% em 2020, de acordo com dados oficiais do país.

Como forma de compensar a redução do uso do carvão, o governo aumentou a geração de energia a partir de fontes renováveis. Também reduziu a capacidade de produção de ferro e aço, tendo reduzido 115 milhões de toneladas entre 2016 e 2017.

Por último, o país também lançou luz sobre a questão dos veículos com motor de combustão. 

Um exemplo disso é que em Pequim, Xangai, Guangzhou e outras grandes cidades. O número de carros em circulação foi restringido através de cotas diárias, além de terem estipulado também um limite para o número de novas placas por ano. 

E no fim de 2017, o governo suspendeu a produção de 553 modelos de carros – nacionais e estrangeiros -, que poluíam demais.

É fato que a maioria das principais cidades do país conseguiu reduzir sua poluição para níveis mais baixos do que a média nacional de 40% entre os anos de 2013 e 2020.

Em Xangai, por exemplo, as partículas diminuíram 44%, em Guangzhou 50%, em Shenzhen 49% e em Pequim 56%.

Porém, apesar dos esforços dos últimos anos, a China ainda tem um longo caminho pela frente rumo a um ar mais limpo.

Atualmente a poluição em Pequim é de 37,9 µg/m3 em média. Em termos de comparação, isso representa, em média, 6 vezes maior que os 6,3 µg/m3 de Nova York.

Já em Londres, a média fica em torno de 9 µg/m3; em Madri, 6,9 µg/m3; E na Cidade do México, 20,7 µg/m3, de acordo com informações dos satélites mais recentes.

Por fim, um estudo da Universidade de Chicago estima que os habitantes da capital chinesa ganharam, em média, 4,4 anos a mais do que a expectativa de vida em 2013. E isso só foi possível graças às recentes reduções de partículas poluentes.

Resta saber agora se a China seguirá mantendo seu compromisso com os esforços para reduzir a poluição do ar que, além de prejudicar sua própria população, é um problema que afeta a todos.

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