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O mercado voluntário de carbono: uma visão da demanda crescente e oferta escassa

por ANAFISCO

O cenário atual de mudanças climáticas trouxe à tona uma discussão crucial sobre a redução das emissões de carbono. A importância de limitar o aquecimento global a 1,5°C até 2050 é evidente, e empresas globalmente estão buscando atingir metas de neutralidade de carbono. Nesse contexto, os créditos de carbono emergem como uma ferramenta valiosa, mas com desafios notáveis em termos de oferta e demanda.

A corrida por créditos de carbono

O crescimento da demanda: A conscientização sobre questões ambientais, agravada pela urgente necessidade de combate às mudanças climáticas, fez com que a procura por créditos de carbono disparasse. A agenda ESG, que busca alinhar interesses econômicos com responsabilidades sociais e ambientais, tem incentivado empresas a buscar neutralidade em suas emissões. 

Logo, com muitos setores ainda dependentes de combustíveis fósseis e tecnologias não totalmente verdes, a solução imediata tem sido a aquisição de créditos de carbono para compensar emissões.

Oferta limitada e preços em alta: Embora a demanda cresça a passos largos, a oferta de créditos no mercado ainda deixa a desejar. E é aqui que reside um dos principais entraves do mercado voluntário de carbono. Com uma oferta insuficiente para atender à demanda, os preços dos créditos de carbono têm aumentado expressivamente. Ou seja, torna-se um desafio adicional para empresas que buscam a sustentabilidade.

Precificação do carbono: regulado vs. voluntário

Existem dois caminhos principais quando falamos em precificação do carbono: o mercado regulado, determinado por órgãos governamentais, e o mercado voluntário, oriundo da iniciativa privada e da sociedade civil.

O mercado regulado: Em um sistema de comércio de emissões, como os Sistemas de Comércio de Emissões (ETS), órgãos reguladores estabelecem um teto de emissões para determinados setores. Desse modo, empresas desses setores devem então apresentar licenças, comumente negociadas em mercados secundários, que representam sua quota de emissões permitidas.

O mercado voluntário: Diferentemente do mercado regulado, a demanda no mercado voluntário nasce do desejo de empresas, indivíduos e investidores em compensar voluntariamente suas emissões. A precificação, portanto, é moldada por essa interação de oferta e demanda, sem interferência direta de órgãos reguladores. No entanto, algumas regulamentações permitem que metas sejam cumpridas parcialmente através de créditos de carbono voluntários, demonstrando uma interligação entre ambos os mercados.

O mercado brasileiro e seus desafios

O Brasil, recentemente, iniciou a regulamentação do seu mercado de carbono. Enquanto o mercado regulado ainda está em formação, o mercado voluntário enfrenta seus próprios desafios. Ou seja, a oferta de créditos no país é limitada, atingindo menos de 1% do seu potencial anual. Contudo, o Brasil detém uma posição privilegiada globalmente, possuindo 15% de todo potencial global de captação de carbono por meios naturais.

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