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Gestão de esgoto e água nas cidades inteligentes pelo mundo

por ANAFISCO

Nem só de tecnologia vive uma smart city. Uma cidade para ser considerada inteligente, precisa também se desenvolver em áreas como: meio ambiente, saúde, trânsito, educação e emprego.

No planejamento urbano e de meio ambiente de uma cidade, também estão inclusas as questões de saneamento básico, englobando serviços como abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e coleta de resíduos. 

De acordo com o Instituto Trata Brasil, o Brasil está com um atraso de três décadas no que se refere a saneamento básico para alcançar a meta do PLANSAB (Plano Nacional de Saneamento Básico).

Para que se alcance a meta até 2033 seria necessário um investimento de, no mínimo, R$ 22 bilhões ao ano. Mas a realidade é que até o momento são investidos menos da metade desse valor.

O diretor da Atibaia Saneamento, Mateus Banaco, disse: “Essas atividades essenciais beneficiam diretamente a saúde da população, como também do meio ambiente, proporcionando assim, uma reação em cadeia de melhorias em diversas esferas da sociedade no presente e futuro”.

Dados do Instituto Trata Brasil mostraram que quase 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada, e isso representa 20% da população.

Além disso, sobre as perdas na distribuição de água potável, em que a média nacional é de 38,4%, na região Norte pode chegar até 55,5%.

E por fim, entre as 100 maiores cidades do país, apenas 27 possuem 100% da população atendida com água potável. 

Importante ressaltar que o saneamento básico como parte de uma cidade inteligente, se utiliza da tecnologia para elevar o padrão dos seus serviços, focando então em fornecer:

  • Abastecimento de água potável;
  • Esgotamento sanitário;
  • Limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos;
  • Drenagem e manejo das águas pluviais urbanas.

No Brasil, para que as cidades possam ser consideradas inteligentes é necessário que exista uma coleta de esgoto adequada às tecnologias de drives e outros equipamentos.

Além disso, a possibilidade de uma aplicação correta da instrumentação de processos, de forma a economizar energia e reduzir a perda de água, também surge como necessária.

Dinamarca como exemplo para o mundo na gestão de esgoto

De acordo com dados da Bluefield Research, estamos muito atrás de outros países/regiões nessa jornada da digitalização relacionada à infraestrutura:   

  • Na América Latina, somente 3% de todos os projetos digitais implementados de 2011 a 2020 no mundo são de lá;
  • Os EUA surgem com 51% do total; 
  • A Europa aparece com 26%;
  • A Ásia com 15%; 
  • E por fim, a África/Oriente Médio com 5%. 

Aarhus, na Dinamarca, ganhou destaque por ter tornado neutra a energia do ciclo da água, atendendo 200 mil pessoas da região de Marselisborg.

A digitalização das instalações de água em Aarhus apresentou como resultado a redução das perdas de água em 6% e, em 2016, do preço da água em 9% para a população.

E isso só foi possível devido ao uso maior de sensores, acionamentos de velocidade variável e controle de processos mais avançado, economizando energia e produzindo mais energia a partir das águas residuais domésticas.

Cidade brasileira têm se destacado nos investimentos em infraestrutura

O Brasil, de um modo geral, carece de saneamento para atingir o ponto de uma Cidade Inteligente.

Para que isso seja possível será necessário a substituição dos tratamentos convencionais de esgoto por processos que ocupem menos espaço, sejam mais automatizados e economizem energia.

Uma boa solução seria o uso de sensores de pressão e imagens via satélite como forma de detectar vazamento de água e medidores IoT de qualidade de água.

Além disso, seria necessário também a automatização das estações de saneamento, porém  o nível de automação com uso de drives não seguem um padrão no Brasil, dificultando o processo.

Para que seja possível o atingimento da meta de 100% de saneamento, será necessário:

  • O fim dos lixões;
  • Uma expansão dos serviços; 
  • Trabalhar na redução de perdas na distribuição de água tratada; 
  • Melhorar a qualidade na prestação dos serviços, além de um maior foco na eficiência e uso racional da água, da energia e de outros recursos naturais; 
  • Reutilização dos efluentes sanitários; 
  • O maior aproveitamento das águas das chuvas.

A cidade de Itatiba, em São Paulo, iniciou um projeto piloto através da Sabesp que utiliza a tecnologia de IoT para sensoriamento e IA para análise de dados, permitindo que a empresa acompanhe, em tempo real, o ciclo de vida de todos os processos, do tratamento ao abastecimento.

Por fim, incluir cada vez mais automação nos operadores de saneamento pode ser um dos passos iniciais para tornar uma cidade mais inteligente. 

Mas se sabe também que existe um longo caminho, após a adoção da automação, que leva até  o ponto em que uma integração dos dados de campo por meio de produtos conectados até softwares, sejam possíveis, gerenciando as operações.

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